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prêmio Nobel na UFRJ

 

Suíço prêmio Nobel é estrela de programa científico brasileiro
Meta compartilhada por importantes universidades do Brasil e da Su√≠√ßa, a aproxima√ß√£o entre as comunidades acad√™micas dos dois pa√≠ses recebe um grande impulso com a participa√ß√£o do cientista su√≠√ßo Kurt W√ľthrich no programa Ci√™ncia sem Fronteiras, recentemente lan√ßado pelo governo brasileiro.
07. Setembro 2012 - 15:24
Por Maurício Thuswohl e Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

Ganhador do Pr√™mio Nobel de Qu√≠mica, concedido em 2002 como reconhecimento ao seu trabalho na √°rea de resson√Ęncia magn√©tica nuclear, W√ľthrich atuar√° pelos pr√≥ximos tr√™s anos como pesquisador visitante oficial da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Convidado pessoalmente pelo ministro brasileiro da Educa√ß√£o, Aloizio Mercadante, W√ľthrich viajar√° periodicamente ao Brasil, onde se dedicar√° ao desenvolvimento da produ√ß√£o cient√≠fica no Instituto Nacional de Ci√™ncia e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb) da UFRJ. O instituto, considerado um centro de excel√™ncia, funciona em um pr√©dio com instala√ß√Ķes modernas, inaugurado h√° dois anos na Ilha do Fund√£o, Zona Norte do Rio de Janeiro. W√ľtrich esteve no Inbeb para a inaugura√ß√£o do laborat√≥rio.

O maior trunfo do Inbeb, fundamental para o fechamento da parceria com o cientista su√≠√ßo, s√£o seus equipamentos de resson√Ęncia magn√©tica nuclear. O instituto possui tr√™s espectr√īmetro dotados de tecnologia de ponta, sendo que o mais avan√ßado deles - modelo Bruker Avance III 800 MHz - √© id√™ntico ao que W√ľthrich utiliza na Escola Polit√©cnica Federal de Zurique (ETH), onde √© professor de biof√≠sica. O su√≠√ßo tamb√©m trabalha com outro aparelho do mesmo tipo no Instituto de Pesquisa Scripps, em La Jolla, Calif√≥rnia (EUA), onde leciona biologia estrutural.

O professor W√ľtrich contou √† swissinfo.ch, durante o Congresso dos Su√≠√ßos do Estrangeiro, em agosto em Lausanne, onde foi palestrante, que esteve na UFRJ no ano passado dando um curso para jovens pesquisadores e que foi a√≠ que para assinar um contrato. "Matinha contados na minha √°rea porque jovens professores da UFRJ estiveram em meu laborat√≥rio" na Polit√©tcnica de Zurique (ETH). Acrescentou que, "com um equipamento desses d√° para fazer um trabalho s√©rio."

Ao todo, os investimentos realizados pelo Inbeb, com recursos da Funda√ß√£o de Amparo √† Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), somam R$ 20 milh√Ķes. Quando foi apresentado oficialmente como pesquisador da UFRJ, em 26 de julho, W√ľthrich n√£o escondeu que esse esfor√ßo foi fundamental para sua decis√£o de atuar no Brasil: ‚ÄúN√£o teria sentido vir para o Brasil se n√£o houvesse laborat√≥rios e equipamentos. Temos que ser realistas, sem esse tipo de investimento b√°sico, nada aconteceria‚ÄĚ, disse aos jornalistas.

Em entrevista ao jornal brasileiro O Globo , o cientista su√≠√ßo se disse animado com o novo desafio: ‚ÄúHistoricamente, o Brasil, assim como outros pa√≠ses da Am√©rica Latina, enfrentou altos e baixos na ci√™ncia. Agora, por√©m, o pa√≠s est√° em um momento de forte crescimento nos investimentos em ci√™ncia, o que faz com que seja a hora certa de combinar grandes gastos com uma mudan√ßa de patamar na produ√ß√£o cient√≠fica‚ÄĚ.


Orientador

Ap√≥s a apresenta√ß√£o oficial, W√ľthrich retornou √† Su√≠√ßa. Sua pr√≥xima vinda ao Brasil est√° programada para outubro, quando come√ßar√° a participar de atividades como aulas, semin√°rios e reuni√Ķes de trabalho. O governo brasileiro custear√° todas as despesas do su√≠√ßo durante sua estada no pa√≠s, al√©m das passagens a√©reas. Al√©m disso, segundo a UFRJ, W√ľthrich dispor√° de uma verba anual de R$ 50 mil para despesas com pesquisa nos laborat√≥rios do Inbeb.

Kurt W√ľtrich confirmou √† swissinfo.ch que tem um contrato de tr√™s anos "mas que dever√° ser prorrogado para 4 ou 5 anos, tempo que leva para uma tese de doutorado." Disse ainda que tem um contrato similar na Coreia h√° dez anos, "onde passo um m√™s por ano, mas provavelmente vou reduzir para se concentrar no Brasil", onde passar√° duas a quatro semanas por ano. Os doutorandos tamb√©m poder√£o trabalhar no laborat√≥rio de W√ľtrich na Calif√≥rnia.

A UFRJ anunciou tamb√©m que dois estudantes brasileiros - um de doutorado e outro de p√≥s-doutorado - ter√£o suas teses orientadas diretamente pelo su√≠√ßo. A tese de doutorado, desenvolvida por Leonardo Vasquez, aluno da pr√≥pria universidade, trata da s√≠ntese de prote√≠nas no interior dos ribossomos. A tese de p√≥s-doutorado √© de Luana Heimfarth, aluna da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e trata da aplica√ß√£o de t√©cnicas de resson√Ęncia magn√©tica nuclear no campo da neurobiologia.

Kurt W√ľthrich

Kurt W√ľthrich (ethz)

Momento decisivo

O incremento da produção científica e tecnológica de ponta no Brasil é um dos principais objetivos do governo brasileiro, segundo o que foi por diversas vezes afirmado pela própria presidente Dilma Rousseff. Atualmente, o país ocupa a décima terceira posição no ranking global de produção científica, mas diversos setores vivem ainda sob à constante ameaça de cortes orçamentários.

Respons√°vel pela vinda de Kurt W√ľthrich ao Brasil, o programa Ci√™ncia sem Fronteiras √© dirigido conjuntamente pelos minist√©rios da Educa√ß√£o (MEC) e da Ci√™ncia, Tecnologia e Inova√ß√£o (MCTI), e tem a meta de construir um patamar s√≥lido para o desenvolvimento da pesquisa e da produ√ß√£o cient√≠fica no pa√≠s. Segundo o governo, o objetivo √© trazer para o Brasil 390 pesquisadores visitantes especiais at√© 2015, alguns deles de renome internacional.


Alto nível e esporte

W√ľthrich foi a primeira estrela do mundo cient√≠fico confirmada, mas dever√° ter em breve a companhia de outro ganhador do Nobel de Qu√≠mica, o israelense Dan Shechtman, que levou o pr√™mio no ano passado. Shechtman, que esteve recentemente no Brasil para participar da 64¬™ Reuni√£o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci√™ncia (SBPC), tamb√©m ser√° anunciado nos pr√≥ximos dias como pesquisador visitante especial da UFRJ.

No Inbeb, o cientista su√≠√ßo poder√° tamb√©m voltar a trabalhar com um antigo amigo brasileiro, o professor Jerson Lima Silva, que √© coordenador do instituto. W√ľthrich aposta no sucesso da parceria com a UFRJ: ‚ÄúEspero que minha vinda traga uma nova forma de pensar a educa√ß√£o e a infraestrutura em ci√™ncia no Brasil, al√©m de ampliar as op√ß√Ķes para as pr√≥ximas gera√ß√Ķes de cientistas brasileiros‚ÄĚ, disse.

Respondendo √† pergunta de swissinfo.ch sobre a escolha do Rio de Janeiro, Kurt W√ľtrich sorri antes de responder: "N√£o se esque√ßa que minha primeira forma√ß√£o foi de professor de esporte; provavelmente vou ver alguns jogos da Copa do Mundo e depois tem os Jogos Ol√≠mpicos."


Maurício Thuswohl e Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch
Rio de Janeiro, Lausanne

http://www.swissinfo.ch/por/ciencia_tecnologia/Suico_premio_Nobel_e_estrela_de_programa_cientifico_brasileiro.html?cid=33408864

 
     
     
   
     
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