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Armadilha de DNA pode agravar amiloidose

 

Armadilhas extracelulares de neutrófilos geram agravamento da amiloidose

Novo estudo, liderado pela Profa. Debora Foguel, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, oferece respostas para a etiologia da amiloidose, uma doença letal ainda pouco estudada. Foi observada, pela primeira vez, a evidência de que um mecanismo fisiológico gera o agravamento da doença. O trabalho será publicado em novembro no Journal of Biological Chemistry.

A amiloidose √© um grupo de s√≠ndromes cl√≠nicas caracterizadas pela deposi√ß√£o de fibrilas amiloides por todo o corpo. Estas fibrilas s√£o formadas por agregados de prote√≠nas que n√£o foram enoveladas corretamente. Dep√≥sitos de fibrilas amiloides s√£o encontrados em v√°rias doen√ßas, incluindo Alzheimer, Parkinson e diabetes tipo 2. Os dep√≥sitos de amiloide podem ser localizados, tal como no c√©rebro de pacientes com Alzheimer, ou encontrados espalhados por todo o corpo, como em amiloidose relacionada com muta√ß√Ķes no gene da transtirretina.

O significado clínico de depósitos de amiloide ainda é pouco compreendido. Considerando que, em alguns pacientes estes depósitos são assintomáticos e encontrados apenas por acaso, em outros eles podem danificar vários órgãos vitais e ser letal. Pesquisas anteriores já sugeriram que o que transforma estas fibrilas amiloides aparentemente inofensivas em espécies tóxicas mortais é a sua quebra em pedaços menores. O trabalho da equipe fornece respostas esclarecedoras sobre como este processo ocorre.

Já se conhecia que fibrilas amiloides desencadeiam uma resposta inflamatória, sugerindo o envolvimento do sistema imune na amiloidose. O grupo de Foguel perguntou se esta resposta inflamatória envolveria neutrófilos, as células de defesa do sangue que primeiro chegam ao local danificado. Os neutrófilos protegem o corpo contra os micróbios, libertando no local da infecção uma armadilha de DNA rica em proteínas nucleares que são antimicrobianas, um processo conhecido como NETose. Uma vez capturado pela armadilha, os micróbios são presos e mortos.

Novas evidências, fornecidas pelas pesquisas da Profa. Foguel, mostram que as fibrilas amiloides também podem induzir a liberação destas armadilhas. Inclusive, elas são encontradas nos locais de depósitos amiloides em tecidos de pacientes com amiloidose. O estudo indica fortemente que as fibrilas amiloides são capturadas pelas armadilhas, que induzem sua quebra em fragmentos menores, principalmente através da ação de enzimas específicas. Como um produto secundário do processo, são gerados pequenos fragmentos tóxicos para as células.

"Nosso estudo fornece a primeira evidência de um mecanismo fisiológico que leva à fragmentação de fibrilas e ao agravamento da doença. Assim, fibrilas amiloides poderiam ser consideradas como um reservatório de pequenas espécies tóxicas", diz Foguel. O estudo intitulado "Amyloid fibrils trigger the release of neutrophil extracellular traps (NETs), causing fibril fragmentation by NET-associated elastase" mostra também que a extensão da indução das armadilhas difere entre pacientes, o que pode explicar a grande variabilidade da doença.

Porém, as armadilhas são fisiologicamente destruídas por enzimas especiais capazes de digerir o DNA, as DNases. De fato, alguns patógenos escapam delas liberando seus próprios DNases quando presos. A questão agora é se os pacientes de amiloidose são de alguma forma incapaz de desmontar essas armadilhas quando não são mais necessárias, permitindo-lhes rédea solta e o colapso das fibrilas amiloides em pequenos pedaços tóxicos.

Os resultados do estudo t√™m implica√ß√Ķes claras para a etiologia da amiloidose, uma doen√ßa muitas vezes mortal contra a qual pouco progresso tem sido feito nos √ļltimos anos.

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Uma vers√£o online do artigo j√° pode ser encontrada em: http://www.jbc.org/content/early/2012/08/23/jbc.M112.369942.full.pdf+html

O estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

 

http://www.eurekalert.org/pub_releases/2012-10/pcc-adt100812.php

Data de lan√ßamento p√ļblico: 8-outubro-2012

Publicase Comunicação Científica

 
     
     
   
     
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