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INBEB inaugurou novo espectrômetro no CENABIO I

Com cerca de cinco toneladas, alta capacidade de resolução e dotado de magneto de extrema sensibilidade, o mais recente espectrômetro da Universidade Federal do Rio de Janeiro teve uma chegada memorável na instituição: veio literalmente dos céus. Foi necessário erguer parte do teto para a entrada do equipamento, que seguiu para seu local de operação – o Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear Jiri Jonas (CNRMN) – por meio de um skate de ar. Primeiro equipamento deste porte da América Latina, o Espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de 900MHz foi inaugurado oficialmente no dia 12 de maio.

O novo espectrômetro, por possuir campo magnético mais forte que os demais em funcionamento no Centro, permite a obtenção de um espectro mais delimitado de estruturas moleculares e, consequentemente, a visualização e interpretação de estruturas mais complexas. O equipamento pode ajudar a trazer novas perspectivas para pesquisas sobre câncer, Alzheimer, Parkinson, zika, dengue e chicungunha.

Figura: De alta sensibilidade e força magnética, o espectrômetro RMN 900MHz permite obter melhores espectros de estruturas moleculares (Foto: Diogo Vasconcellos - CordCOM/UFRJ).

Figura: De alta sensibilidade e força magnética, o espectrômetro RMN 900MHz permite obter melhores espectros de estruturas moleculares (Foto: Diogo Vasconcellos - CordCOM/UFRJ).

Amplamente usada na área de biologia, química, física e medicina, a espectrometria de ressonância magnética nuclear é uma ferramenta poderosa na determinação da estrutura de moléculas em solução, desde metabólitos a moléculas maiores, como proteínas, carboidratos e ácidos nucleicos.

A técnica, que permite o estudo de moléculas em condições próximas às fisiológicas, rendeu um Nobel em Química (2002) ao pesquisador Kurt Wüthrich, Pesquisador Visitante Especial do INBEB, e permite compreender melhor funções e atividades de macromoléculas, assim como o entendimento de patologias e possível desenvolvimento de terapias. Hoje, dez grupos de pesquisa do INBEB trabalham com RMN, em colaboração com pesquisadores do mundo todo, e dividem o tempo de uso dos equipamentos – pode variar entre dez minutos e até um mês para obter a informação necessária de um espectrômetro.

Figura: Na mesa de abertura do evento de inauguração, autoridades e pesquisadores do INBEB destacam as potencialidades do novo equipamento. Na foto, Mark Chaykovsky, Adalberto Vieyra, Denise Nascimento, Andrew Macrae e Jerson Lima (Foto: Diogo Vasconcellos - CordCOM/UFRJ).

Em fala introdutória no evento de inauguração, o diretor do Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (CENABIO), Adalberto Vieyra, indagou: “O que há por trás dessa porta de vidro? Histórias, pessoas, competências e idéias”, narrando ao público a história do Centro. Vieyra destacou ainda que, apesar de ‘inovação’ ser atualmente a palavra mais proeminente na ciência, a pesquisa básica deve ser valorizada.

Denise Nascimento, vice-reitora da UFRJ, enalteceu a importância da aquisição do equipamento para a comunidade científica: “A incorporação deste aparelho do CENABIO significa o entrosamento da nossa universidade com diversos centros de pesquisa da América Latina facilitando o desenvolvimento de inúmeras linhas de pesquisa, visto que os nossos professores não precisarão se deslocar para outros centros de referência e tornando a nossa universidade um importante centro de referência na América Latina e no panorama mundial”.

Durante a tarde, o vice-presidente executivo da Bruker BioSpin – empresa americana desenvolvedora do equipamento –, Mark Chaykovsky, mostrou um panorama da influência da técnica de RMN no mundo. Entre muitas potencialidades, Chaykovsky chamou a atenção para o uso da técnica de RMN no controle de qualidade de comidas, como mel, sucos e bebidas alcoólicas, sendo capaz de identificar adulterações nos produtos.

A história da pesquisa em cristalografia de proteínas – uma das principais técnicas usadas para determinação de macromoléculas – foi tema da fala do pesquisador da USP, Richard Garratt. Ele destacou a importância da criação de um centro de facilidades com equipamentos de uso comum – como o CENABIO – na consolidação e fortalecimento de uma comunidade em biologia estrutural.

Em Sessão Plenária, o químico Eurico Cabrita, da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa, falou sobre o uso de NMR para estudar dinâmicas e interações intermoleculares. A tarde contou ainda com a exposição de pesquisas em biologia estrutural, com a presença do pesquisador Anderson de Sá Pinheiro, do Instituto de Química, da UFRJ; Carlos Henrique Inácio Ramos, do Instituto de Química, da Unicamp; João Alexandre Barbosa, da Universidade de Brasília; Mônica Freitas, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ; Clemer Anklin, vice-presidente de aplicações e treinamento em RMN de biomoléculas da Bruker BioSpin; e o biofísico Kildare Miranda. O coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB), um dos idealizadores do CNRMN e do CENABIO, Jerson Lima Silva, encerrou o evento.

Organizado pelo CENABIO e pelo INBEB, o evento aconteceu de 9h às 18h30 no Auditório do Bloco N, 2o andar, sala 210, no Centro de Ciências da Saúde, da UFRJ. O equipamento foi adquirido com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP/MCTIC), com contrapartidas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do INBEB.


Por Gabriela Reznik/AscomINBEB - Publicado em 23/05/2017

 
     
     
   
     
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