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Ação da proteína Ixolaris na prevenção da trombose

Pesquisadores da UFRJ e dos Estados Unidos revelam estrutura inédita de anticoagulante que pode prevenir trombose
Estudo publicado na Blood, periódico da American Society of Hematology e com alto fator de impacto, descreve pela primeira vez a estrutura do Ixolaris, proteína encontrada na saliva de carrapato, e sua ação na inibição da formação de trombos
 
 
Uma colabora√ß√£o entre pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos pode abrir novos caminhos para o tratamento da trombose, uma das causas de mortes em pacientes com c√Ęncer. Os cientistas acabam de publicar um estudo in√©dito em que descrevem a estrutura de uma importante prote√≠na anticoagulante encontrada na saliva de carrapato, o Ixolaris, e a sua intera√ß√£o com uma enzima chave no processo de coagula√ß√£o sangu√≠nea, o Fator Xa. O artigo est√° publicado na Blood.
 
O estudo foi conduzido por Ana Paula Valente, Viviane de Paula, Robson Monteiro e Fabio C. L. Almeida, professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membros do Instituto Nacional de Ci√™ncia e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB), em colabora√ß√£o com Nikolaos Sgourakis, da University of California, Santa Cruz (UCSC), e Ivo Francischetti, do Instituto Nacional de Sa√ļde (NIH, na sigla em ingl√™s), ambos nos Estados Unidos.
 
Os efeitos anticoagulantes do Ixolaris j√° eram conhecidos, mas √© a primeira vez que se descreve, do ponto de vista molecular, sua a√ß√£o no funcionamento do Fator Xa, enzima que desempenha papel crucial na coagula√ß√£o do sangue. Usando resson√Ęncia magn√©tica nuclear, os cientistas conseguiram construir um modelo 3D da estrutura formada pela associa√ß√£o das duas prote√≠nas.
 
O resultado inédito traz insights importantes para a compreensão dos mecanismos moleculares por trás da hemostase, processo complexo que regula a coagulação sanguínea e cujo mau funcionamento pode levar à trombose. A expectativa é de que, a partir do estudo, seja possível desenvolver drogas capazes de interromper a formação de coágulos sem interferir no processo da hemostase como um todo.
 
A cadeia de fen√īmenos que leva √† coagula√ß√£o sangu√≠nea envolve diversas proteases, enzimas como o Fator Xa que agem ativando ou inativando outras prote√≠nas. Da√≠ a dificuldade de se encontrarem terapias com alvos mais precisos. ‚ÄúO desafio √© desenvolver um inibidor especifico que n√£o interfira com outras enzimas similares existentes no nosso corpo. O Ixolaris tem a vantagem de se ligar a um s√≠tio n√£o can√īnico, ou seja, um s√≠tio mais espec√≠fico para essa enzima‚ÄĚ, explica Ana Paula Valente.
 
A compreens√£o dessas estruturas e de seus mecanismos √© crucial para o avan√ßo dos estudos na √°rea. ‚ÄúAs informa√ß√Ķes estruturais desses complexos s√£o escassas, por se tratarem de sistemas enormes e com muitos componentes. O grande m√©rito do estudo √© a gente ter conseguido obter informa√ß√Ķes moleculares relevantes desse sistema complicado‚ÄĚ, afirma Ana Paula.
 
Os resultados do estudo podem contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos para a trombose. ‚ÄúA estrutura 3D abre in√ļmeras possibilidades para o desenho de f√°rmacos baseados em estruturas que visem aos fatores de coagula√ß√£o humana. Esses f√°rmacos poderiam ser usados como op√ß√£o terap√™utica para atenuar a coagula√ß√£o e a inflama√ß√£o associadas √† trombose‚ÄĚ, complementa Viviane de Paula, primeira autora do trabalho, professora da UFRJ e pesquisadora visitante na UCSC.
 
O artigo intitulado ‚ÄúNMR structure determination of Ixolaris and Factor X interaction 1 reveals a noncanonical mechanism of Kunitz inhibition‚ÄĚ est√° dispon√≠vel online no site da Blood.
 
O release em inglês está disponível no EurekAlert!
 
O estudo foi financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB).
 
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Por Luana Rocha (AsCom INBEB)
Publicado em 04/06/2019

 
     
     
   
     
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