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Amea√ßa de c√Ęncer em uma gota

Fen√īmeno conhecido como transi√ß√£o de fase pode ser a causa do surgimento de anomalias respons√°veis por mais da metade de casos de c√Ęncer no mundo, aponta estudo da UFRJ


Crédito da imagem:Guilherme de Oliveira

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram um fen√īmeno molecular que pode explicar o surgimento de anomalias presentes em mais da metade dos tumores malignos no mundo, ligadas a muta√ß√Ķes na prote√≠na p53. A p53 √© conhecida como guardi√£ do genoma humano e sua fun√ß√£o √© proteger o DNA de altera√ß√Ķes. Quando essa prote√≠na sofre deforma√ß√Ķes, ela perde a fun√ß√£o protetora e ganha a capacidade de se aglomerar indefinidamente, resultando no surgimento de estruturas celulares cancer√≠genas.

O estudo in√©dito foi publicado na revista cient√≠fica Chemical Science, da Royal Society of Chemistry, refer√™ncia na √°rea de qu√≠mica biol√≥gica e medicinal. As descobertas podem levar ao desenvolvimento de novos tratamentos contra tumores relacionados a anomalias na p53, que correspondem a mais da metade dos casos de c√Ęncer no mundo. O grupo respons√°vel pela pesquisa √© liderado pelo bioqu√≠mico Jerson Lima Silva, professor do Instituto de Bioqu√≠mica M√©dica Leopoldo de Meis (IBqM) e do Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (CENABIO) da UFRJ, al√©m de coordenador do Instituto Nacional de Ci√™ncia e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB).

Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo indicam que os agregados malignos de p53 s√£o resultado de um fen√īmeno conhecido como transi√ß√£o de fase, quando uma mol√©cula sai de um estado equivalente a gotas l√≠quidas e se transforma em condensados de gel ou mesmo em agregados s√≥lidos e irrevers√≠veis. O processo √© precedido de outro fen√īmeno, chamado separa√ß√£o de fases, quando dois l√≠quidos diferentes presentes numa mesma solu√ß√£o se separam formando got√≠culas, como gotas de √≥leo dispersas em √°gua. Tanto a separa√ß√£o como a transi√ß√£o de fases desempenham pap√©is importantes no funcionamento de macromol√©culas no interior das c√©lulas, permitindo que diferentes componentes celulares se liguem e formem estruturas como o nucl√©olo, localizado no n√ļcleo celular e composto de prote√≠nas, DNA e RNA.

No caso da p53, acredita-se que √© por meio desses processos que a prote√≠na se associa ao DNA e a outras mol√©culas. Em seu funcionamento normal, a p53 √© encontrada no n√ļcleo da c√©lula em estado l√≠quido. J√° sua vers√£o mutada ‚Äď demonstrou o grupo liderado por Lima Silva ‚Äď tende a sofrer separa√ß√£o de fase e progredir para transi√ß√£o de fase, saindo do estado l√≠quido para o s√≥lido. Uma vez que a transi√ß√£o de fase para um estado s√≥lido √© estabelecida, os agregados de p53 se tornam irrevers√≠veis e tendem a se multiplicar, levando ao surgimento e √† progress√£o de tumores.

Espera-se que a compreens√£o desse fen√īmeno possibilite o desenvolvimento de novas terapias e medicamentos capazes de prevenir a agrega√ß√£o de prote√≠nas e a progress√£o do c√Ęncer.
‚ÄúAo fornecer uma vis√£o sobre a forma√ß√£o de condensados de p53 e identificar as condi√ß√Ķes exatas que levam √† forma√ß√£o de agregados, abrimos possibilidades para trabalharmos no desenvolvimento de estrat√©gias para prevenir a forma√ß√£o dessas estruturas. Isso pode levar a novas terapias para o tratamento de diversos tumores malignos, como c√Ęncer de mama, ov√°rio e pr√≥stata ‚ÄĚ, explica Lima Silva, cujo laborat√≥rio na Universidade Federal do Rio de Janeiro estuda muta√ß√Ķes de p53 e agrega√ß√£o h√° pelo menos 18 anos.

O artigo está disponível em inglês em https://doi.org/10.1039/D1SC01739J.

Elaine C. Petronilho e Murilo M. Pedrote s√£o os primeiros autores do estudo. Demais autores incluem Mayra A. Marques, Yulli M. Passos, Michelle F. Mota, Benjamin Jakobus, Gileno dos Santos de Sousa, Filipe Pereira da Costa, Adriani L. Felix, Giulia DS Ferretti, Fernando P. Almeida, Yraima Cordeiro, Tuane Vieira e Guilherme AP de Oliveira.

O estudo foi financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem (INBEB).

 
     
     
   
     
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